quarta-feira, junho 18, 2008

Prece

- Prece -

Sentia-se no fim da linha. Não conseguia vislumbrar nem um fio de esperança. Seus dias arrastavam-se, inutilmente, ao encontro do nada. Não via mais nenhum sentido em acordar, sair para o trabalho, voltar para casa, dormir, acordar, sair para o trabalho, voltar para casa.

Onde quer que fosse, sentia-se estupidamente só. Não sabia mais sorrir, não sentia mais prazer, nada mais a encantava. Só sentia dor. Uma dor que não se materializava, apenas doía.

Chegara à maturidade pensando saber tudo da vida. Mas na verdade nada sabia. Não sabia de onde vinha, para onde estava indo. Nem mesmo sabia se queria ir a algum lugar. Só queria que aquela dor findasse. Só queria fechar os olhos e não acordar mais.

Não conseguia perceber em que momento sua vida começara a ser um fracasso. Talvez já tenha nascido predestinada ao insucesso. Mesmo assim ela tentou.

Tentou ser feliz no amor; fracassou. Tentou ser uma profissional qualificada; foi pífia. Tentou ser amada; foi desprezada.

Precisava de ajuda. Carecia de carinho, de amor, de solidariedade. Mas quanto mais era rejeitada, mais escondia-se. Vestiu-se de armadura.

Ela podia conformar-se com qualquer coisa e só o amor de uma pessoa importava. Mas quando ela mais precisou dele, ele faltou em forma de punhal e acertou em cheio seu coração.

Ela sangrou, de olhos fechados, pedindo a Deus para nunca mais acordar.

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Glória - 18/06/2008

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