terça-feira, setembro 30, 2008

Fim da linha

- Fim da linha -
*
Seus fantasmas não a deixam dormir
Sua vida passa como um filme triste
Fatos antigos, coisas recentes
Dores do passado, alegrias de infância
Sonhos que ela não vai realizar
O caminho errado
A escolha infeliz
Atos que feriram
O perdão que não recebeu
O remorso, a tristeza.
Tanto ela tem ainda para dizer
Para fazer, para realizar
Mas o fim da linha está próximo
Sua vida foi vazia
Não fez ninguém feliz
Ninguém fez sua vida valer a pena
Triste fim de vida.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Bailarina

- Bailarina -
*
De você, faço meu tablado
E bailo em ritmo cadenciado
Em vários atos de um só espetáculo
Sou bailarina
Você, meu palco.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Taylor

Taylor era o seu nome. Não sei se de sobrenome Silva ou Santos. Para mim, simples e ricamente, Taylor.

Menino pobre, vendedor ambulante, 13 anos. Apareceu de repente, tímido, com um pacote de bananadas nas mãos. Olhinhos brilhantes, a pele negra, sorriso largo. Falava baixinho, não sabia 'vender seu peixe'.

Parou ao meu lado, olhando ansioso para seus possíveis compradores. A voz presa na garganta. Puxei conversa.

- Pra vender muito, você tem que fazer com que as pessoas lhe ouçam.

- Tenho vergonha...

- Vergonha de quê? Você está trabalhando!

Comprei 5 bananadas, para ajudar. Taylor sorriu. Sua voz doce tomou o lugar da timidez. Contou-me sua vida inteirinha no trajeto do meu trabalho até que eu descesse do ônibus.

Morava em um bairro pobre e violento do Rio de Janeiro. Vendia bananadas para ajudar a mãe. Sete irmãos. Seriam oito, se um não tivesse se desvirtuado do bom caminho e se metido em encrencas. Morreu, 'foi apagado, tia, mas 'tava inocente na parada'.

Ia ao culto com a mãe. Mas acho que era mais para paquerar as meninas da comunidade. Tinha 3 namoradas, ele disse. Uma morena, uma loira e uma mulata. Acho que ele mentia um pouco também.

Disse que estudava. E tinha um sonho: ser bombeiro, salvar vidas.

Sentou-se a meu lado. Esqueceu que tinha mercadoria para vender. Como falava, o pedacinho de gente!! Disse que eu bem que podia ser mãe dele...imagina!!!

Dei-lhe conselhos. Que estudasse, que amasse seus pais, que respeitasse o seu lar, que fosse honesto, que não morresse como o irmão.

Despedimo-nos a um ponto do local onde eu teria que descer. Um dia, não sei quando, quero ler nas notícias: "BOMBEIRO TAYLOR SALVA DA MORTE UM PEQUENO VENDEDOR DE BANANADAS".

Que seu caminho seja de luz!

terça-feira, setembro 09, 2008

E...

- E... -
*
Quero ser a musa de suas poesias
Sentir sua língua versando em meu corpo
Receber suas palavras fortes
Como um choque de prazer
Satisfazer seus desejos como se fosse
Aquela que dança em seu coração
Ser a fêmea afortunada dos seus versos
A que te recebe sem pudor
Que te sacia e te instiga
E que rima com perfeição
Com a poesia que emana de você.

sábado, setembro 06, 2008

Mutação

- Mutação -
*
Me faz tua cama
E se deita sobre mim
Me faz teu líquido
E mata tua sede em mim
Me faz sol brilhante
E aquece teu corpo em mim
Me faz madrugada fria
E repousa enroscado em mim
Me faz teu ar
E me respira inteira
Me faz porto seguro
E atraca teu desejo em mim
Me faz teu alimento
E...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Sua ordem, meu desejo

- Sua ordem, meu desejo -
*
Nu você estava
Nu continuou
Da sua boca, o convite:
Queria ser usado,
Tocado,
Envolvido.
E era quase tudo
Que eu também queria:
Ser usada
Tocada
Envolvida
E penetrada.