quinta-feira, setembro 18, 2008

Taylor

Taylor era o seu nome. Não sei se de sobrenome Silva ou Santos. Para mim, simples e ricamente, Taylor.

Menino pobre, vendedor ambulante, 13 anos. Apareceu de repente, tímido, com um pacote de bananadas nas mãos. Olhinhos brilhantes, a pele negra, sorriso largo. Falava baixinho, não sabia 'vender seu peixe'.

Parou ao meu lado, olhando ansioso para seus possíveis compradores. A voz presa na garganta. Puxei conversa.

- Pra vender muito, você tem que fazer com que as pessoas lhe ouçam.

- Tenho vergonha...

- Vergonha de quê? Você está trabalhando!

Comprei 5 bananadas, para ajudar. Taylor sorriu. Sua voz doce tomou o lugar da timidez. Contou-me sua vida inteirinha no trajeto do meu trabalho até que eu descesse do ônibus.

Morava em um bairro pobre e violento do Rio de Janeiro. Vendia bananadas para ajudar a mãe. Sete irmãos. Seriam oito, se um não tivesse se desvirtuado do bom caminho e se metido em encrencas. Morreu, 'foi apagado, tia, mas 'tava inocente na parada'.

Ia ao culto com a mãe. Mas acho que era mais para paquerar as meninas da comunidade. Tinha 3 namoradas, ele disse. Uma morena, uma loira e uma mulata. Acho que ele mentia um pouco também.

Disse que estudava. E tinha um sonho: ser bombeiro, salvar vidas.

Sentou-se a meu lado. Esqueceu que tinha mercadoria para vender. Como falava, o pedacinho de gente!! Disse que eu bem que podia ser mãe dele...imagina!!!

Dei-lhe conselhos. Que estudasse, que amasse seus pais, que respeitasse o seu lar, que fosse honesto, que não morresse como o irmão.

Despedimo-nos a um ponto do local onde eu teria que descer. Um dia, não sei quando, quero ler nas notícias: "BOMBEIRO TAYLOR SALVA DA MORTE UM PEQUENO VENDEDOR DE BANANADAS".

Que seu caminho seja de luz!

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